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sábado, 4 de setembro de 2010
 Metodologias

    

 Teoria das Restrições - TOC

Em uma situação na qual existe uma restrição na linha de produção da empresa, isto é, a produção tem um recurso que é o gargalo de todo o processo, se faz necessário decidir quais produtos são mais interessantes para a empresa, pois a empresa ou não tem capacidade de entregar todos os produtos nas quantidades desejadas pelo mercado, ou tem capacidade ociosa consumindo recursos desnecessariamente. O sistema demonstra automaticamente os recursos ou atividades nos pontos de gargalo dos processos, e demonstra as margens de contribuição unitárias e por unidade de tempo dos produtos por ponto de gargalo.

A TOC encara qualquer empresa como um sistema, isto é, um conjunto de elementos entre os quais há alguma relação de interdependência. O desempenho global do sistema depende dos esforços conjuntos de todos os elementos do sistema. Um dos conceitos mais fundamentais é o reconhecimento do importante papel da restrição de qualquer sistema.

A analogia usada é comparar a empresa com uma corrente. Se tracionarmos uma corrente, onde ela quebrará? No seu elo mais fraco, na sua restrição. Logo, se queremos aumentar a resistência da corrente, onde devemos concentrar nossos esforços? No elo mais fraco, na restrição. A restrição do sistema é que dita seu desempenho, logo, se quisermos aumentar o desempenho do sistema, precisamos identificar a restrição e explorá-la. Se aumentarmos a resistência de qualquer outro elo que não o mais fraco, não estaremos melhorando o desempenho da corrente como um todo.

A meta de uma empresa é ganhar dinheiro hoje e no futuro. Para fazer a ponte entre o Lucro Líquido e o Retorno Sobre o Investimento a TOC tem três medidas. Para julgarmos se a empresa está indo em direção à sua meta são necessárias três perguntas simples: (1 - Quanto dinheiro é gerado pela nossa empresa? 2 - Quanto dinheiro é capturado pela nossa empresa? 3 - Quanto dinheiro devemos gastar para operá-la?) As medidas são intuitivamente óbvias. O necessário é transformar essas perguntas em definições formais.

As medidas da TOC são:

Ganho (G) : O índice pelo qual o sistema gera dinheiro através das vendas.
Para se calcular o ganho unitário de cada produto, precisamos subtrair os seus Custos Totalmente Variáveis (CTV) do seu preço de venda. Custo Totalmente Variável é o montante que varia para cada acréscimo de uma unidade nas vendas do produto (na maioria dos casos é só matéria-prima). Dessa forma teremos quanto a empresa gera de dinheiro com a venda de cada unidade do produto. Para se calcular qual o ganho total da empresa, basta somar os ganhos totais de cada produto (que é igual ao ganho unitário vezes o volume vendido).

Investimento (I) : Todo o dinheiro que o sistema investe na compra de coisas que pretende vender.
De acordo com a definição acima, podemos atribuir apenas o preço que pagamos aos nossos fornecedores pelo material e peças compradas que entraram no produto. O valor atribuído ao estoque em processo e estoque acabado é igual ao seu Custo Totalmente Variável (CTV). Com essa metodologia não é possível aumentar os estoques em processo e de produtos acabados para aumentar os lucros do período (adiando o reconhecimento de algumas despesas que com certeza irão diminuir os lucros futuros).

Despesa Operacional (DO) : É todo o dinheiro que o sistema gasta transformando Investimento (I) em Ganho (G).
Despesa Operacional é intuitivamente compreendida como todo o dinheiro, que “temos que colocar constantemente dentro da máquina para mover suas engrenagens. Salários, desde o do presidente da empresa até os da mão-de-obra direta, aluguéis, luz, encargos sociais, depreciações, etc”. A TOC não os classifica em custos fixos, variáveis, indiretos, diretos, etc. A DO é simplesmente todas as outras contas (despesas) que não entraram no Ganho ou no Investimento.

A TOC afirma que qualquer coisa pode ser classificada em uma dessas três medidas e que as três são suficientes para fazermos a ponte entre o LL e o RSI com as ações diárias dos gerentes.
Como prova disso temos as fórmulas do LL e RSI:

  • LL = G - DO
  • RSI = (G - DO)/I

onde:

  • G = Ganho Total da empresa
  • DO = Despesa Operacional Total
  • I = Investimento Total

Com essas três medidas (G, I e DO) conseguiremos saber o impacto de uma decisão nos resultados finais da empresa. O ideal é uma decisão que aumente o G e diminua I e DO. Porém, qualquer decisão que possua um impacto positivamente, o RSI é uma decisão que nos leva na direção da meta do sistema. O juiz final, quem decide se é ou não uma boa decisão, é o RSI.

Em uma situação na qual existe uma restrição na linha de produção da empresa, isto é, a produção tem um recurso que é o gargalo de todo o processo, se faz necessário decidir quais produtos são mais interessantes para a empresa, pois esta não tem capacidade de entregar todos os produtos nas quantidades desejadas pelo mercado.

Precisamos ter em mente que a restrição é o tempo disponível do recurso restritivo. Para aumentarmos o Ganho da empresa, é necessário tirar o máximo possível desse tempo disponível.

Queremos dar preferência aos produtos que têm maior ganho e, ao mesmo tempo, dar preferência aos produtos que utilizam menos o tempo da restrição. Teremos um problema quando, comparando dois produtos, um tenha o maior ganho, e o outro utilize menos o tempo da restrição. Como decidir qual é melhor para a empresa?

Para resolver esse problema, precisamos ter uma medida relativa, que leve em conta que queremos maximizar o ganho da empresa ao mesmo tempo em que queremos minimizar o tempo gasto da restrição.

Por um lado, temos o ganho unitário do produto; por outro, os minutos que o produto usa da restrição. Para decidir qual contribuirá mais para o resultado final da empresa, precisamos ter o ganho unitário dos produtos pelo tempo que eles utilizam a restrição, chegando no Ganho por tempo da restrição. Para identificar qual o produto que mais contribui para a lucratividade da empresa, teremos que verificar a posição do mercado dos produtos:

  • Quando o mercado é comprador, a restrição é a empresa, isto é, o mercado quer comprar mais do que a empresa consegue produzir. Neste caso, o produto que gerar maior ganho por tempo da restrição é o mais vantajoso para a empresa.
    Além da escolha dos produtos que maximizem o ganho para a empresa, o ganho neste caso torna-se maior quando os gestores atuam para reduzir o tempo no ponto de restrição.
  • Quando a empresa pode produzir mais do que o mercado quer comprar, a restrição é o mercado. Nesse caso, o critério de comparação entre os produtos deve ser apenas o de maior ganho unitário. Qualquer venda de produto cujo preço seja maior que o CTV, e que não aumenta a DO, contribui para o aumento dos resultados finais da empresa.
    Além da escolha dos produtos que maximizem o ganho para a empresa, o ganho neste caso torna-se maior quando os gestores atuam para reduzir a ociosidade nos demais pontos do processo, reduzindo a DO.

Os conceitos da TOC - Teoria das Restrições, discutidas neste tópico, serão tratadas nos módulos de Gerenciamento de Processo e de Custo por Processo, disponibilizando aos gestores das organizações informações que realmente possam ajudar a tomar decisões sempre no sentido de maximizar os seus ganhos.


    

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